Girl POP! Gastronomia Especial: Como eu Me Apaixonei pela Culinária

A experiência desse primeiro mês escrevendo para o GirlPOP – e remexendo as receitas de família para trazer até vocês – veio acompanhada de uma nostalgia imensa, que me fez refletir sobre o que me trouxe até aqui e como eu me apaixonei pela gastronomia.

 photo 42E49A0C-727E-4911-8839-E8E63B0D78BD_zps7fyxhouc.jpgFonte: Imagem

Com essa nostalgia veio também a vontade de compartilhar com vocês  a minha história de amor com a culinária.

É impossível que a minha primeira referência não sejam os domingos nos quais minha mãe levantava-se cedo para preparar o almoço de família – tão aguardados e tradicionais no nosso lar. Como ela trabalhava durante a semana, nossos momentos de domingo eram sempre especiais.   Os pratos mais aguardados?  A famosa Lasanha e o prato Marizabel, com carne de carneiro.

E se ser filha de uma mãe nordestina e cozinheira de mão cheia não é o suficiente, meu pai era Chef de cozinha no restaurante Italiano LaFornarina. Infelizmente, ele quase não tinha tempo para cozinhar em casa, mas, quando acontecia era uma experiência maravilhosa, de dar água na boca – seu Spaguetti com molho bechamel e especiarias está gravado na minha memória gustativa. Quando criança, eu passava os dias ao lado deles na cozinha, prestando atenção em cada receita, cada corte, cada tempo – já naquela época, percebi que a minha ligação com a cozinha estava no coração.

Dessa forma, minha primeira experiência na cozinha, aos 10 anos, foi o trivial arroz com feijão, acompanhados por bife acebolado e salada. Após chegar mais cedo da escola, na ausência de minhas irmãs, corri para a cozinha e preparei tudo – morrendo de medo que alguém chegasse e me encontrasse ali, especialmente minha mãe, que tinha uma regra expressa: Não chegue perto do fogão até ter a idade certa.

Aquele foi meu momento de rebeldia!

Fiz tudo da forma que havia observado, tomando o cuidado em deixar a cozinha limpa e quando minha irmã me encontrou ali, grelhando os bifes, cheguei a pensar que levaria uma surra por estar no fogão; mas depois de uma conferida nas panelas e uma piscadela, ela me deixou para finalizar meu prato.

O restante da família chegou pouco a pouco, se sentando ao redor da mesa posta – todos sob a crença que minha irmã havia preparado o jantar – enquanto eu, quicando de empolgação, mal conseguia  tocar no meu prato. Minha mãe foi a primeira a comentar sobre o tempero diferente, e quando ouviu de minha irmã que a comida havia sido feita por mim, foi como uma cena clássica de animação, com direito a olhos esbugalhados e fumaça saindo da cabeça:  Ninguém conseguia acreditar.

Após confirmar que de fato eu havia feito tudo sozinha – e uma bronca da minha mãe sobre usar o fogão quando não tivesse outra pessoa em casa – fui recebida de braços abertos pela cozinha e pelas cozinheiras da família. Percebendo meu interesse, minha mãe passou a dividir comigo seu lugar na cozinha, me passando seu conhecimento e fortalecendo ainda mais o laço entre nós.

Conforme o tempo passava, fui adquirindo técnicas mais clássicas e sofisticadas, graças ao conhecimento de meu padrasto, antigo chef do restaurante Carpe Diem, em Brasília. Nossa convivência foi curta, mas cheia de alegria e conhecimento.

Eu ganhei mundo, e as experiências maravilhosas que acumulei pelo caminho, junto dos muitos pratos que aprendi, alimentaram a chama do amor pela culinária em mim – um amor que é resultado de um misto das memórias da infância, da influência das pessoas que eu admirava e dos momentos divididos com quem realmente importa na vida.

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