Girl Pop Entrevista: FML Pepper – Parte 1

Com livros instigantes, que nos prendem do início ao fim, FML Pepper veio para ficar. Primeira autora híbrida a unir duas plataformas diferentes de publicação com a Kindle Direct Publishing da Amazon no formato digital e as editoras Valentina e Record com seus livros físicos que você pode conhecer melhor aqui.

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Workaholic assumida, vi meu mundo ficar de cabeça para baixo quando meu médico disse que estava grávida, mas que era uma gravidez de risco e que teria que ficar de repouso durante os nove meses, caso realmente quisesse segurar o bebê em meus braços. De início, achei o máximo ficar algumas semanas sem fazer nada, só comendo besteiras e vendo todos os programas da televisão, mas, os dias foram passando e, com eles, a minha paciência se esgotando. Após um mês deitada, estava a um passo da depressão quando meu marido (e nas horas vagas, meu super-herói) entrou em ação. Vou me recordar até os últimos dias de minha vida quando ele chegou em casa carregando um presente envolto num lindo embrulho e disse com um sorriso travesso nos lábios:

“Você já dormiu demais. Está na hora de começar a sonhar.”

Abri o pacote e lá estava o meu grande amor piscando para mim: um livro de ficção. E era infanto-juvenil!

Primeiramente, preciso dizer que foi uma honra ter tido a oportunidade de entrevistar essa autora que gosto muito. Espero que gostem da primeira parte e a segunda chega em breve.

Em meio ao preconceito que ainda há na Literatura Nacional, como você lutou para vencer essa barreira e chegar onde está hoje?

FML: Eu acredito que é uma luta diária, não apenas minha, mas de todo autor nacional. Melhorou muito, absurdamente de final (Dezembro) de 2012 – que foi quando comecei minha trajetória na Literatura – para o que eu sou hoje. Pode-se dizer que a melhora foi impressionante, mas ainda estamos longe de chegar onde eu poderia dizer “ideal”. De uma certa forma a gente sabe que o povo brasileiro tem um preconceito e é algo cultural. Fomos um país que foi explorado desde a nossa colonização e esse histórico é muito forte, então ‘o que vêm de fora deve ser melhor’, na cabeça do povo. Com exceção do futebol e carnaval, o que vem de fora costuma, aos olhos dos brasileiros, ser melhor. Melhorou muito na literatura é fato, mas ainda existe uma torcida de nariz quando você vai pegar uma obra de um autor internacional e acaba comparando com a de um autor nacional. A luta foi vencida diariamente com um trabalho de formiguinha, mostrando para esse público a qualidade de um trabalho que é bem diferente das obras lá de fora. Por exemplo, as obras estrangeiras passam por um crivo de qualidade, então quando os livros chegam no Brasil, eles primeiramente já foram um sucesso no exterior, já passaram por diversas edições, então chegou aqui totalmente lapidado. Chegam coisas de qualidade, mesmo existindo muita porcaria em qualquer lugar, mas infelizmente os autores nacionais às vezes não fazem o dever de casa e, muitas vezes, colocam obras não editadas ou não revisadas no mercado e aí permitem que a população permaneça com esse ranço, achando que o de fora é melhor o que daqui.

Seus livros são fantasia e tem um tema tão diferente ao que estamos acostumados, num mundo em que o romance domina o gosto dos leitores. Em algum momento você pensou que não daria certo ou manteve a sua convicção de que algo tão inovador poderia sim chamar a atenção das pessoas?

FML: É curioso. Quando comecei, a história veio em minha mente de que a morte se apaixonaria pela garota e vice e versa, mas eu sabia que eu ia fugir um pouco disso (romance), só que eu queria contar aquela história. Então meio que tapei os ouvidos e fechei os olhos para realidade. Até porque várias pessoas disseram que “mulher não escreve fantasia, ainda mais fantasia de guerreiro; fantasia de mulher é falar sobre bruxinha, fadinha, gnomo” e aquilo me deixou P da vida e me perguntei “porque mulher não pode gostar de lutar com espada e montar a cavalo?”. No fim, eu tentei fazer aquilo que eu não encontrava nos filmes de ação (que eu AMO de paixão. Se tem uma espada eu já estou lá assistindo aqueles guerreiros maravilhosos). Em geral, filme de romance, fica naquela água de açúcar sem parar e, nos filmes de ação, não dá pra parar pra trocar uns beijinhos, poxa? Então o que eu fiz foi acrescentar num livro essa mistura dos dois.

No começo, você chegou a cogitar em publicar Não Pare! em alguma editora antes de se auto publicar? Qual foi o processo usado para determinar o que seria feito com seu livro recém escrito?

FML: Sim, cheguei a cogitar a seguir o método tradicional. Cheguei a mandar para uma única editora e agradeço a Deus todos os meus dias por ter recebido um sonoro silêncio como resposta, porque aquilo me fez perceber que eu não tinha que ficar esperando alguém me dizer qual seria o meu futuro. Eu traçaria meu futuro. Sempre fui autônoma, sou dentista, sempre trabalhei para ganhar o que eu como, então porque que eu ia ficar esperando alguém dizer se o que eu fazia é bom ou não? Eu provaria que era bom, do meu jeito, e como surgiu a auto publicação, surgia o esquema da Amazon, eu não tive dúvidas. Eu sabia que seria ali que eu iria botar meu livro auto publicado e seguir meu caminho de alguma forma. Cada um caminha de um jeito. Eu não precisava fazer um grande sucesso, só queria publicar meu livro e não tinha que ter alguém me dizendo se ia publicar ou não.

Treze foi publicado pela Record e a trilogia Não Pare! e Máscaras foram publicados pela Valentina. Há alguma distinção no modo de publicação de cada uma que te fez escolher ambas?

FML: Não houve distinção alguma, é que simplesmente Não Pare! já era sucesso pela Amazon quando a editora Valentina me convidou para lançá-lo e eu aceitei. Fui pioneira no contrato híbrido porque eu não quis abrir mão do meu direito sobre meus livros digitais. Terminei a trilogia Não Pare! e, nesse meio do caminho, consegui uma agente literária e é a agente que lança a sua nova obra para várias editoras. Minha obra foi para essas editoras que deram lance e o maior lance veio pelo Grupo Editorial Record e acabei fechando com eles. Mas depois eu tinha mais coisa pra ser contada sobre a trilogia e, obviamente, ninguém trabalharia Máscaras mais com mais capricho e mais qualidade que a própria editora Valentina, que já tinha feito a própria trilogia. Então, não tive dúvidas que Máscaras pertenceria à Valentina. Nem chegou a ir a leilão porque eu sabia que o livro tinha tudo a ver com a editora.

Você criou um mundo completamente novo. De onde você acha que vem sua inspiração para escrever histórias tão únicas? E como surgiu a ideia de criar Zyrk?

FML: Inspiração é uma coisa muito louca. O próprio Stephen King disse que “ela é muito exigente, surge quando quer” e é verdade. A gente tem que estar de olhos abertos, mente aberta para qualquer coisinha que você observar; o trejeito de uma pessoa aqui, uma situação que você passa ali, noticiário, alguma cena e tudo vai se juntando e, de repente, aquilo tudo serve não apenas pra você copiar (o que eu acho isso horrível, o fato de copiar algo), mas sim criar seu universo. A ideia de criar Zyrk foi muito louca, porque foi o que me deu mais trabalho de tudo. Eu demorei um ano e meio pra criar Zyrk com suas regras, aquele mundo todo. Eu não queria falhar com o leitor, pois eu coloco sempre em minha mente que o leitor é mais inteligente do que eu, então eu não queria criar regras e quebrá-las no final pra dar uma saída mirabolante, só pra fechar uma história. Eu fico fula da vida quando eu termino um livro e o autor colocou um finzinho qualquer só pra terminar. Aquilo me deixa com raiva, eu fico tipo assim “ele tá me achando idiota?” e é a mesma coisa que eu penso na hora que escrevo. Eu quero dar uma boa história e um bom final para o meu leitor, de modo que ele fique satisfeito quando terminar o livro e não com raiva de mim.

Em meio a sua escrita, você adquiriu algum hábito que te ajudou a manter a história linear e, desse modo, não se perder ou deixar alguma ponta solta?

FML: Eu não tenho um hábito porque eu tenho apenas duas tardes que me obrigo a sentar na frente do computador. Como eu tenho pouco tempo, procuro ser muito disciplinada e tentar produzir naquelas duas tardes que tenho. Se eu perder aquela tarde, acabou pra mim! Já que os outros dias são dias de consultório, na parte da manhã tenho que levar meu filho no Kumon, na natação, no judô, estudar pra prova, levar a médico, então eu tenho que produzir naquele espaço de tempo. Se acontece alguma coisa ou uma doença ou incidente, eu perco aquilo e então o que eu tento fazer é ser disciplinada no pouco tempo que possuo.

Há algum personagem em seus livros que tenha sido baseado em alguém que você conhece? Mesmo que seja a personalidade ou até mesmo um trejeito?

FML: Não tenho nenhum personagem que tenha sido baseado em alguém que conheço, confesso. O que eu sempre digo é que meus personagens são meio Frankenstein, pois são meio que costuras bem amarradas de várias pessoas que eu vi pelo caminho, na televisão, na rua, no trabalho e, sem perceber, você está ali, colocando, “costurando” e montando um personagem.

Máscaras são histórias complementares da trilogia Não Pare!. Em qual momento você percebeu que tinha mais coisa para contar sobre a história?

FML: Na verdade, eu sabia que tinha muito mais coisa para contar, mas eu não contava porque quando pensei em fazer uma trilogia eu queria que fosse algo enxuto. Eu tinha raiva quando lia livros em que o primeiro livro era maravilhoso, o segundo era pra encher linguiça, apenas para se unir ao terceiro, que também era muito bom. Então eu pensei “eu quero livros que se mantenham lineares na sua qualidade”, ou seja, manter uma constância de ritmo. Então eu ia comendo tudo, passando a faca no que eu achava que era excesso mesmo, não queria encher linguiça, apesar que todo autor em algum momento faz isso, mas me atentei ao máximo de cortar toda “gordura” possível. Porém eu sabia que ainda tinha muita história para contar, até porque a história foi narrada pelo ponto de vista da Nina e, como ela não é onipresente, o que passava na alma de cada personagem ficaria de fora por completo. No fim, senti que precisa compartilhar isso de um modo que não desfocasse a história principal da trilogia Não Pare! e, por isso, escrevi Máscaras, para contar o que era preciso sem interferir na experiência do leitor.


Por enquanto ficamos por aqui! Não desanime, pois temos muito mais coisas interessantes para saber sobre a autora e, em breve, publicaremos aqui no Girl Pop! a parte 2 da entrevista.

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